sexta-feira, 23 de setembro de 2011

É só ligar pra Polícia

Aqui, como em todo lugar do mundo, tem muita gente folgada. Na semana passada um engraçadinho deixou o carro por algumas horas em numa de nossas vagas de estacionamento. Depois de devidamente "trancado", ele precisou de muitas manobras pra sair. Um minuto depois de ele ter tirado o carro, eu desci pra estacionar o meu no lugar certo. Cruzei com a criatura, que me viu mas sequer me dirigiu a palavra. Desculpas? Nem pensar.

Dessa vez a coisa foi pior: na noite da terça chegamos em casa por volta das 23 horas e - surpresa! - mais um carro numa de nossas vagas. Olhei direitinho em volta pra ver se eu tinha colocado um aviso de "estacionamento público" e não me lembrava. Não, não tinha. Pois bem, esperei amanhecer e colei um aviso bem grande no vidro do carro do engraçadinho: "Favor estacionar seu carro em outro local. Essa vaga não é sua." (em francês, claro). Quarta de tarde, nada. Quarta de noite, nada. Vou ligar pra Polícia. Mas vou ligar amanhã, que hoje eu quero é sossego.

A folgadinha e seu Honda noir
Quinta de manhã e o carro ainda lá. Às nove eu liguei pra Polícia de Chambly. Me fiz de sonso, contei a história e disse que talvez fosse um carro roubado, já que estava lá desde a noite da terça, abandonado. O policial me pediu a placa do carro e em alguns segundos me disse: "Não, senhor, não é um carro roubado. Mas é de alguém que mora muito longe da sua casa". Antes que eu perguntasse o que eu deveria fazer, ele completou: "Vou ligar imediatamente para o dono do carro e ligo de volta em seguida". Agradeci e fiquei esperando. Uns vinte minutos depois ele retorna a ligação pra dizer que não conseguiu falar, mas deixou recado na caixa postal pedindo que ele ligasse pra polícia imediatamente. Agora era só esperar um pouco. Caso o carro ainda estivesse lá amanhã de manhã, eu deveria ligar novamente que eles iriam agir.

Pra meu espanto, meia hora depois o policial liga de novo. Dessa vez pra informar que falou com o folgadinho. Na verdade, falou com a esposa do dono, que por sua vez informou que era a filha quem estava com o carro do marido (folgadinha, então). Mas que ia ligar pra ela, no trabalho, pedindo que ela fosse tirar o carro do local.

Logo depois do almoço o carro sumiu. E acho que não vai voltar mais.

Não é da minha conta o que a filha fazia com o carro do pai por aqui, onde eles moram nem onde eles trabalham. Mas eu fico pensando: o que é que uma criatura dessas tem na cabeça? Deixa o carro numa vaga que não é dela, indefinidamente, e não está nem aí! Tamanha falta de respeito me irrita profundamente, sobretudo num lugar onde supostamente as pessoas deveriam ser mais bem educadas e ter noção do sentido da palavra respeito.

Pra compensar a raiva, uma excelente surpresa: a atuação da Polícia. Extremamente atenciosa, rápida e eficiente. A Polícia de Chambly funciona — e sem sirene nem revólver. Tudo resolvido ligeirinho, e por telefone!

Agora eu já sei: qualquer coisa, ligo pra Polícia. E por via das dúvidas, só vou estacionar o carro ocupando as duas vagas. ;)

Tem que ser assim

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A Era do Gelo (fase 2)

Mais do inverno

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A Era do Gelo (fase 1)

Isso é só o começo.



Para ver as fotos ampliadas, é só clicar nelas.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Les jours de pluie

Tá a fim de conhecer uma música muito legal?



O grupo é o Alpha Rococo.

A música fala dos dias de chuva mas tem a alegria dos dias de sol. ;)

"Ainda não é o fim do mundo
Ainda não é o último segundo
Esse dia de chuva logo vai passar
Volte a dormir"

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A Magia das Lanternas

A Magia das Lanternas, em exposição no Jardim Botânico de Montreal.



(Clique na foto para ampliar)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A libélula azul

Eu nunca tinha visto uma libélula azul. As do Canadá são assim, parecem saídas do filme Avatar.

De Flagrantes do Quebec

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Só daqui a 140 dias

Quando a gente fala, as pessoas que estão no Brasil pensam que é brincadeira. Mas não é. Aqui no Canadá o sistema de saúde é bom, mas a gente pode ter que esperar uma eternidade pra ser atendido.

Hoje à tarde tentei mudar a data de uma consulta com o meu médico de família. A consulta tinha sido marcada em abril, mas surgiu um compromisso e eu precisei adiar. Liguei pro consultório e depois de desistir duas vezes (fiquei mais de cinco minutos escutando musiquinha) resolvi ligar pelo Skype e responder uns e-mails enquanto aguardava. Depois de passar exatos 15 minutos no telefone, finalmente me atenderam.

Disse que tinha consulta marcada com Dr. Fulano e que gostaria de adiar. A moça do outro lado disse "tudo bem, mas a próxima vaga disponível é no dia 9 de fevereiro". Me desculpe, eu não entendi. Ela repetiu "9 de fevereiro, senhor. Vai querer?"

Era o que eu tinha entendido. 9 de fevereiro. Sim, o Dia do Frevo. Que parece tão longe quanto o Recife. Para ser atendido pelo meu médico de família, o único que pode autorizar meu atendimento por qualquer especialista, eu tenho que esperar quatro meses, duas semanas e três dias. 140 dias para ver o meu médico de família. Incroyable...

Ainda perguntei a ela se ela estava brincando. Ela sorriu do outro lado e disse: "Não, senhor. Só tem pro dia 9 ou depois."

Disse a ela que não desmarcasse, que depois eu voltaria a ligar.

Pensando bem, melhor desmarcar. E tratar de procurar outro médico de família - o que é uma missão quase impossível. Mas se é pra esperar tanto e ainda ser atendido por uma criatura que vê sua taxa de colesterol em 280 e diz que tá tudo bem, melhor ficar sem médico mesmo.

É por isso que às vezes tenho raiva quando as pessoas no Brasil reclamam do tempo que esperam por uma consulta no SUS.